A Polícia Federal (PF) intimou a rede social TikTok para fornecer informações que ajudem a identificar os usuários responsáveis pela publicação dos vídeos da trend “Caso ela diga não”, conforme relatado pela CNN Brasil. A plataforma já forneceu dados técnicos aos investigadores, incluindo endereços de IP e logs de acesso.
A investigação concentra-se em publicações que promovem e incitam a violência contra a mulher. Nos vídeos avaliados, homens encenam agressões físicas, como socos, chutes e até disparos, em resposta a rejeições amorosas.
Com as informações técnicas fornecidas, a PF começou a identificar os usuários por trás dos perfis que compartilharam conteúdos de ódio. O principal objetivo é descobrir a identidade das pessoas que administram essas contas.
Atualmente, os investigadores já identificaram 15 perfis que publicaram os vídeos viralizados. O inquérito está a cargo da Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos. A maioria do conteúdo que ganhou destaque nas últimas semanas foi postada em anos anteriores e já foi removida pelo TikTok.
A ação da PF está ocorrendo por meio de uma coordenação de combate a crimes cibernéticos de ódio, uma unidade criada em dezembro do ano passado para lidar com casos graves. O caso se intensificou em março de 2026, próximo ao Dia Internacional da Mulher, quando a Advocacia-Geral da União (AGU) alertou a Polícia Federal sobre a origem do material em quatro perfis.
Na mesma época, o Ministério da Justiça notificou o TikTok, exigindo um prazo de cinco dias para que a empresa explicasse as ações tomadas para identificar conteúdos misóginos. Também foram levantadas questões sobre possíveis falhas na moderação de conteúdo e o papel dos algoritmos na promoção desse tipo de vídeo.
Em respostas anteriores, o TikTok afirmou que muitas das postagens já haviam sido removidas antes das notificações oficiais. A empresa reafirmou seu compromisso com a segurança da comunidade e declarou que mantém uma colaboração contínua com as autoridades, enfatizando que os criadores dos vídeos originais podem enfrentar acusações de incitamento a crimes como ameaça, violência psicológica e feminicídio.
