O grupo de defesa do consumidor US PIRG lançou a quinta edição do relatório anual “Failing the Fix”, que analisa a reparabilidade dos celulares no mercado. Nele, Apple e Samsung apresentam necessidade de melhorias significativas, enquanto a Motorola se destaca de maneira positiva.
A principal intenção da pesquisa é ajudar os consumidores a escolherem produtos mais duráveis e incentivar as marcas a adotarem práticas mais transparentes. A metodologia utilizada avalia a facilidade de desmontagem, as ferramentas necessárias para isso, a disponibilização de peças de reposição e a documentação técnica, além do suporte de software oferecido.
Nesta edição, a abordagem foi reformulada, priorizando a simplicidade na desmontagem para refletir melhor as dificuldades reais enfrentadas pelos usuários. Essa mudança resultou em notas mais baixas para marcas que dominam o mercado.
### Desempenho das Marcas
A Apple recebeu uma nota D-, a pior do relatório, apesar de algumas melhorias em relação aos anos anteriores. Suas limitações estão atreladas a práticas que restringem o uso de peças de terceiros, o que pode bloquear funções essenciais do dispositivo. Recentemente, a Apple implementou o Assistente de Reparo no iPhone 16, mas ainda mantém restrições a componentes não autorizados.
A Samsung ocupa a segunda colocação entre as análises com uma nota D, enquanto a Motorola lidera com uma nota B+.
Além da análise dos celulares, o relatório também avaliou notebooks, com a ASUS se destacando com a nota B+. A Acer ficou com B, seguida por HP, Dell, Samsung e Microsoft, todas com B-, enquanto a Lenovo recebeu C e a Apple terminou com C-.
### Importância da Durabilidade
Outro ponto relevante destacado é a importância das atualizações de segurança, uma vez que, sem elas, mesmo dispositivos em bom estado se tornam inseguros. O relatório observa que celulares de difícil manutenção acabam como descartáveis, contribuindo para a crise de resíduos eletrônicos. Em 2022, os Estados Unidos geraram mais de 7 milhões de toneladas desse tipo de lixo, conforme o levantamento.
A Organização Mundial da Saúde aponta que os resíduos eletrônicos estão entre os fluxos de lixo sólidos que mais crescem. A cada ano, as famílias nos EUA gastam em média US$ 1.767 (aproximadamente R$ 9.108) em novos eletrônicos. Assim, priorizar consertos em vez de novas aquisições poderia gerar uma economia total estimada em US$ 49,6 bilhões (cerca de R$ 256 bilhões). Entretanto, o relatório revela que 80% das marcas analisadas pertencem a associações que resistem a leis que favorecem o direito ao conserto, impactando negativamente suas pontuações.
