OABRJ Solicita ao STF Inclusão de Estudo da Firjan em Ação sobre Royalties do Petróleo

A Conflitante Questão dos Royalties do Petróleo no Rio de Janeiro

Recentemente, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Rio de Janeiro (OABRJ) manifestou seu interesse em influenciar o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 4.919) no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a redistribuição dos royalties do petróleo. Esse pedido surge após uma reunião com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), onde discutiram as implicações da proposição em análise.

A OABRJ, ao atuar como amicus curiae, apresentou uma nota técnica elaborada pela Firjan, que elucida os impactos potencialmente graves de uma mudança nas regras de distribuição dos recursos provenientes da exploração petrolífera. O foco é evidenciar como essas modificações podem afetar o equilíbrio federativo, a economia dos estados e, em particular, a viabilidade das finanças municipais.

A questão dos royalties é crítica, especialmente considerando que os recursos derivados da exploração de petróleo desempenham um papel vital nas contas públicas e no desenvolvimento regional. Um estudo realizado pela Firjan indica que a alteração nas regras de distribuição pode resultar em perdas significativas para o estado do Rio de Janeiro e para seus municípios. Por exemplo, se a regra antiga estivesse vigente entre 2020 e 2025, as prefeituras fluminenses poderiam ter deixado de arrecadar cerca de R$ 68,7 bilhões, enquanto o estado teria enfrentado uma redução aproximada de R$ 48,3 bilhões.

Essas perdas fiscais não afetam apenas as contas públicas, mas também têm o potencial de impactar diretamente serviços essenciais como saúde, educação e infraestrutura. A arrecadação do estado é fortemente ligada às receitas do petróleo, o que gera uma dependência crítica desses recursos para manter o equilíbrio financeiro.

Ademais, a nota técnica ressalta que os estados e municípios produtores de petróleo convivem não apenas com os benefícios da atividade, mas também com seus custos e riscos associados. A redistribuição dos royalties nas condições propostas poderia intensificar desigualdades, ao reduzir receitas sem compensar os ônus enfrentados por essas regiões.

Por último, o documento menciona que as receitas geradas por outras atividades econômicas, como a agroindústria, também não são distribuídas e que cada setor carrega seus desafios e contribuições.

Diante da complexidade do tema, a mobilização da OABRJ, da Firjan, da Procuradoria-Geral do Estado e de outras entidades é fundamental para garantir que a discussão seja bem fundamentada e que os interesses da sociedade sejam preservados. A proteção dos recursos oriundos da exploração do petróleo é, sem dúvida, um assunto que merece a atenção de todos os cidadãos, especialmente aqueles que vivem nas áreas afetadas.

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