Influencer Sob Investigação: Deepfakes Sensuais em Igrejas Geram Controvérsia e Indignação

Utilizando fotos alteradas de mulheres dentro de igrejas da Congregação Cristã do Brasil, o indivíduo em questão fazia críticas às vestimentas delas.

O influenciador Jefferson de Souza está sob investigação da Polícia Civil de São Paulo por usar ferramentas de IA para manipular imagens de jovens evangélicas, inserindo conteúdo sexualizado. Esses materiais circulavam pelo YouTube e outras plataformas.

Entre as vítimas de deepfake estão frequentadoras da Congregação Cristã do Brasil (CCB), com a denúncia de uma delas, de apenas 16 anos, levando à abertura do inquérito em fevereiro, conforme noticiado pelo g1 na última quarta-feira (22). Em nota, a defesa do acusado reconhece o uso da tecnologia, mas nega qualquer ofensa, contestando as alegações.

“Em nenhum momento houve a intenção de promover exploração sexual, pornografia ou qualquer ato que atentasse contra a dignidade das pessoas mencionadas”, afirma o texto assinado pelo advogado Aguinaldo Aparecido Ereno, enviado à reportagem.

Mulheres expostas e criticadas

No caso da jovem que deu início ao processo, uma foto dela em frente ao altar da igreja no Brás, em São Paulo (SP), foi utilizada sem sua autorização pelo influenciador. A montagem apresenta outras garotas e sugere que o grupo estava se sensualizando no interior do templo.

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  • Em outro deepfake criado por Jefferson, a imagem de uma jovem, também envolvida com a CCB, foi utilizada para um vídeo que até incluiu uma versão do apresentador Sílvio Santos;
  • A gravação adicionou uma mulher desconhecida vestindo minissaia, enquanto o influenciador criticava as vestimentas das garotas;
  • De acordo com o relatório, o homem possuía outros vídeos semelhantes em seus perfis, fazendo comentários depreciativos sobre as mulheres e incluindo imagens do apresentador Ratinho em alguns deles;
  • Após a primeira denúncia, o criador de conteúdo começou a ser investigado por simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos, mas as investigações adicionais também contemplaram o crime de difamação.
As imagens manipuladas para outro contexto eram divulgadas nos perfis do influenciador em várias plataformas. (Imagem: fadfebrian/Getty Images)

Membro da CCB e processado por uma das vítimas, o influenciador alegou, em depoimento, que os vídeos têm um “contexto de humor”. Ele afirmou que o intuito era satirizar o modo como as pessoas se vestem na igreja.

“Não tinha conhecimento sobre a idade das pessoas que aparecem nas fotos públicas utilizadas”, disse a defesa, enfatizando que ele também não sabia que algumas das mulheres expostas eram menores de idade.

Jefferson ainda ressaltou não ter percepção de que o uso das imagens disponíveis em perfis públicos nas redes trazeria consequências. A CCB, por sua vez, manifestou apoio às medidas legais contra o influencer.

Algumas das deepfakes ligadas ao caso foram removidas dos perfis do homem, seja por iniciativa própria ou pelas plataformas digitais. O YouTube declarou que retirou os vídeos que violavam suas políticas após a identificação de tais conteúdos.

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