Mobilização na UFPI: Estudantes Demandam Ações Contra Assédio e Proteção às Vítimas
Recentemente, a Universidade Federal do Piauí (UFPI) foi palco de uma manifestação significativa voltada para o combate ao assédio e para a proteção das vítimas dentro da comunidade acadêmica. Estudantes e servidores se reuniram em frente à Reitoria da instituição com o objetivo de pressionar por medidas efetivas que enfrentem esse problema alarmante.
A ação foi desencadeada após um incidente preocupante em que um indivíduo investigado por estupro foi visto livremente circulando pelo campus, o que gerou um clima de insegurança entre os estudantes. Relatos indicam que, enquanto a vítima se sentia obrigada a se afastar do local, o investigado permanecia sem restrições, mostrando a urgência de um movimento mais forte contra o assédio e a violência no ambiente universitário.
A manifestação, que ganhou destaque nas redes sociais, contou com a participação ativa de diversos movimentos estudantis. Lideranças comunitárias, como Dara Neto, do Movimento Olga Benário, enfatizaram a importância de não deixar que os assediadores fiquem impunes. "As vítimas estão trancadas em casa, enquanto aqueles que as violentaram circulam livremente. Isso não pode continuar", afirmou Neto durante o protesto.
Representantes de instituições acadêmicas e sindicais também manifestaram seu apoio. A professora Lila Xavier, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), frisou que a luta contra o assédio não é apenas de estudantes, mas de toda a sociedade, pois a universidade é um reflexo do mundo exterior. Ela destacou que as mulheres não toleram mais serem vistas apenas como objetos de reprodução e força de trabalho.
James Dias, do SINTUFPI, reiterou a necessidade de ações concretas para combater a cultura de assédio, enfatizando que é fundamental garantir que os assediadores enfrentem consequências por seus atos. "Só com medidas efetivas é que seremos capazes de mudar essa estrutura que perpetua a violência", afirmou.
O pró-reitor de Assuntos Estudantis e Comunitários, Emídio Matos, reconheceu a relevância da mobilização para aprimorar as políticas institucionais de enfrentamento ao assédio. Ele mencionou iniciativas como o funcionamento da Sala Lilás e a atuação de um comitê gestor, que visam acolher vítimas na universidade.
Um depoimento impactante foi feito pela assistente social Tainá Soares, que compartilhou sua experiência de superação após uma tentativa de feminicídio. Tainá ressaltou a importância de dar voz às vítimas e destacou que o silêncio muitas vezes impede que mulheres busquem ajuda. Sua mensagem foi clara: criar espaços de acolhimento é essencial para que mais vítimas se sintam seguras para relatar abusos.
Como Denunciar Casos de Assédio na UFPI
A UFPI mantém canais abertos para denúncias e apoio às vítimas de assédio e discriminação. Os interessados podem utilizar a plataforma Fala.BR para registrar ocorrências de maneira confidencial:
- Acesse falabr.cgu.gov.br.
- Clique em “Ouvidoria”.
- Selecione o tipo de manifestação (denúncia).
- Faça login com sua conta GOV.BR.
- Descreva sua manifestação e envie.
Além disso, a Ouvidoria da UFPI está disponível através do site www.ufpi.br/ouvidoria, e o contato por telefone é (86) 3237-2104.
A Sala Lilás Janaína da Silva Bezerra é um espaço dedicado a oferecer apoio psicossocial às mulheres da comunidade acadêmica. Com uma equipe especializada, a sala está aberta de segunda a sexta-feira, proporcionando um ambiente seguro e acolhedor para o atendimento. O contato para agendamentos é pelo número (86) 99428-7263.
A mobilização na UFPI é um passo importante para garantir que a universidade seja um espaço seguro e respeitoso para todos. A luta contra a violência e a impunidade deve continuar, e cada voz que se levanta torna-se um potencial agente de mudança nesta sociedade.