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Hackers ligados à China invadem sistema de vigilância do FBI, dizem autoridades

Hackers ligados à China invadem sistema de vigilância do FBI usado para escutas telefônicas. Ataque pode ter exposto registros de chamadas e mandados da FISA.

Um grupo de hackers associado ao governo da China teria invadido uma rede usada pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) para gerenciar operações de vigilância nos Estados Unidos. A violação foi detectada em fevereiro e afetou sistemas que dão suporte ao DCSNet, infraestrutura responsável por processar solicitações de escutas telefônicas quase em tempo real.

O incidente foi comunicado ao Congresso norte-americano no fim do mês passado. Segundo o FBI, o problema foi identificado e rapidamente resolvido, embora a agência não tenha divulgado muitos detalhes sobre a origem ou o alcance da invasão.

Dados sensíveis podem ter sido acessados

De acordo com relatos preliminares da investigação, os invasores podem ter tido acesso a informações altamente sensíveis. Entre os dados potencialmente comprometidos estão registros de chamadas, mandados emitidos com base na Foreign Intelligence Surveillance Act (FISA) e informações sobre alvos monitorados pela agência.

A dimensão real do incidente ainda não foi totalmente esclarecida, e autoridades continuam avaliando o impacto do acesso indevido aos sistemas.

Ataque explorou falha na cadeia de suprimentos

As investigações apontam que o ataque teria ocorrido por meio de uma vulnerabilidade na cadeia de suprimentos — estratégia conhecida como supply chain attack. Nesse tipo de operação, os criminosos não atacam diretamente o alvo principal, mas sim um fornecedor ou parceiro com acesso à infraestrutura da vítima.

No caso do FBI, os hackers teriam explorado uma brecha no provedor de internet de um fornecedor ligado à agência. Isso permitiu que os invasores contornassem as defesas diretas da instituição e acessassem partes da rede com menor risco de detecção.

Um dos possíveis alvos foi o sistema DCS-3000, usado para registrar operações de monitoramento e coletar metadados de comunicações, como números discados, endereços IP e outras informações relevantes para investigações.

Especialistas acreditam que os invasores podem ter comprometido a infraestrutura do fornecedor em vez de instalar malware diretamente nos sistemas do FBI. Com isso, o tráfego malicioso poderia se misturar ao fluxo legítimo da rede, dificultando a detecção.

Grupo de espionagem pode estar por trás do ataque

Autoridades americanas suspeitam que o ataque tenha sido realizado por hackers ligados ao grupo Salt Typhoon, conhecido por campanhas de espionagem contra redes governamentais e empresas de telecomunicações.

Esse mesmo grupo já foi associado a uma grande operação em 2024 que comprometeu sistemas de operadoras como AT&T e Verizon. Na ocasião, registros de chamadas e comunicações privadas de figuras políticas teriam sido expostos, gerando preocupações sobre a segurança das infraestruturas críticas dos Estados Unidos.

No caso da recente invasão ao sistema do FBI, porém, ainda não há confirmação oficial sobre o volume de dados que pode ter sido acessado ou extraído pelos invasores.

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