Inicialmente estabelecida para combater o terrorismo, a rede Seattle Shield parece ter ampliado sua atuação de maneira controversa, e os envolvidos não se pronunciaram sobre o assunto.
Uma rede de troca de informações que conecta forças de segurança e agências federais dos Estados Unidos a grandes empresas como Amazon e Facebook foi acusada de se desviar de sua finalidade original, transformando-se em um sistema de vigilância em massa. Essa acusação foi divulgada pelo Prism Reports na quarta-feira (20).
Embora tenha sido criada para prevenir ações terroristas, a Seattle Shield começou a ser utilizada para monitorar a população de maneira não autorizada. Segundo a reportagem, dados estão sendo repassados ao FBI e ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). As empresas que fazem parte da rede, assim como as autoridades relacionadas, não emitiram comentários sobre as alegações.
Como funciona a rede Seattle Shield?
Gerida pela Polícia de Seattle, a rede tem o objetivo de identificar, deter e neutralizar potenciais atos terroristas, além de relatar atividades consideradas suspeitas, conforme detalhado em seu site oficial. No entanto, sua abrangência parece ter se expandido significativamente.
- Conforme o relatório, a plataforma colaborativa integra informações de empresas, hospitais, hotéis, estádios e diversas outras fontes sobre atividades consideradas irregulares;
- Esses dados incluem descrições de indivíduos e comportamentos, informações sobre veículos utilizados e imagens de câmeras de segurança, que são rapidamente compartilhadas com autoridades tanto locais quanto nacionais;
- O ICE, famoso por operar em ações polêmicas, é um dos órgãos que recebe essas informações, mesmo de indivíduos sem envolvimento em delitos, o que gerou preocupações entre ativistas e defensores dos direitos dos imigrantes;
- A participação da Amazon e do Facebook na rede não foi amplamente detalhada, mas relatos indicam que funcionários de ambas as empresas estão registrados publicamente como membros da Seattle Shield.
No dia a dia, uma pessoa que participe de um protesto pode ter sua imagem e outras informações adicionadas à lista de potenciais suspeitos, que está acessível a agentes de diversos órgãos e empresas privadas. Agências policiais de outros estados também utilizam essa rede.
Anatel lança ferramenta para rastrear bloqueios de TV Box no Brasil
“Alguém que protestar contra o ICE pode ver essa informação vazada para o Seattle Shield e, de repente, ser incluído em uma lista de vigilância de terroristas? Isso não é certo,” criticou Phil Mocek, ativista da área de privacidade que acompanha a plataforma desde 2012.
Sem respostas
A Polícia de Seattle não se pronunciou sobre a alegação de mudança de foco da Shield, a retenção dos dados ou os resultados das ações baseadas no sistema quando questionada pela agência de jornalismo investigativo. O FBI também não se manifestou.
Amazon e Facebook, assim como outros participantes identificados da rede e agências mencionadas, não decidiram comentar sobre a situação.
Acompanhe as atualizações na TecMania e relembre as denúncias feitas pelo ex-analista de sistemas da CIA, Edward Snowden, relativas ao sistema de vigilância mundial da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA).