Como a Pandemia Transformou as Vidas das Crianças: A Pesquisa da Fundaj Revela Desafios e Sentimentos em Tempos de Isolamento
Cinco anos após o início da pandemia de Covid-19, as marcas deixadas nas vidas das crianças se fazem cada vez mais perceptíveis. A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) realizou uma pesquisa que destaca as percepções e vivências de crianças diante do isolamento social imposto pela crise sanitária, revelando como esse período transformou suas rotinas, espaços e emoções.
A pesquisa, intitulada "A pandemia de covid-19 e as crianças: estudo das vivências e representações em época de isolamento social", foi conduzida pelo Centro de Estudos de Cultura, Identidade e Memória (Cecim) da Fundaj, sob a coordenação de Patrícia Simões. Com a participação de 40 crianças de diferentes partes do mundo – 29 do Brasil e 11 de países como Argentina, Canadá e Inglaterra – a pesquisa se baseou em perguntas simples, mas profundas: "o que é o coronavírus?" e "como está sendo o isolamento que você está vivendo?". As respostas foram coletadas de diversas formas – áudio, vídeo, desenhos e relatos escritos – com apoio das famílias envolvidas.
Os resultados da pesquisa visam proporcionar um entendimento mais profundo para educadores e profissionais que atuam com crianças, possibilitando uma abordagem mais eficaz no enfrentamento das dificuldades de desenvolvimento enfrentadas durante e após a pandemia. Ao analisar as respostas, os pesquisadores estruturaram o material em três temáticas: corpo e movimento, tempo e espaço, e escola.
Os dados coletados revelaram que as crianças expressaram sentimentos de tristeza, perda e medo, mas também indicaram que o acolhimento familiar trouxe uma sensação de proteção. A casa, antes vista como um lugar de segurança, se transformou em espaço de trabalho dos pais, estudo e diversão, o que gerou sentimentos ambivalentes nas crianças. Para elas, a cidade passou a representar o perigo e o desconhecido, enquanto a escola tornou-se um símbolo de liberdade e interação social.
Bastante significativa foi a percepção das crianças sobre a escola, que apareceu em conversas ligadas à amizade e à diversão, e não apenas ao aprendizado formal. Patrícia Simões ressaltou a importância de reimaginar o modelo educacional, que tende a ser excessivamente focado no conteúdo, desconsiderando as vivências e emoções dos alunos. "Precisamos de escolas que se reinventem e se aproximem das crianças e de suas famílias, pois esse encontro ajudará a escola a cumprir seu papel de educar e cuidar", concluiu.
A pesquisa da Fundaj não apenas documenta as experiências infantis durante um período de crise, mas também serve como um poderoso lembrete da importância da afetividade nas relações educacionais e nas vivências infantis. Comprovando que, mesmo em tempos difíceis, as vozes das crianças precisam ser ouvidas e consideradas.
Perguntas e Respostas Frequentes
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Quais foram os principais objetivos da pesquisa realizada pela Fundaj?
- O principal objetivo da pesquisa foi entender as percepções e vivências das crianças durante o isolamento social causado pela pandemia, oferecendo dados que ajudem educadores e profissionais a lidarem melhor com as dificuldades de desenvolvimento enfrentadas por elas.
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Como as crianças participaram da pesquisa?
- Foram entrevistadas 40 crianças utilizando diversos formatos, como áudio, vídeo, desenhos e relatos escritos. As famílias auxiliaram neste processo, proporcionando um ambiente seguro e acolhedor para as respostas.
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Quais sentimentos as crianças expressaram em relação à pandemia?
- As crianças relataram sentimentos de tristeza, perda, dor e medo, mas também mencionaram o acolhimento familiar como uma fonte de segurança e proteção durante o isolamento.
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Qual foi a percepção das crianças sobre a escola durante a pandemia?
- A escola foi vista como um espaço de interação, amizade e diversão, e não apenas como um local de aprendizado, evidenciando sua importância nas relações sociais e afetivas das crianças.
- O que a pesquisa sugere sobre o futuro da educação?
- A pesquisa sugere que as escolas precisam se reinventar, aproximando-se das vivências e necessidades emocionais das crianças, superando uma abordagem excessivamente conteudista e priorizando o cuidado e a educação conjunta com as famílias.