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GT Memória e Verdade LGBTQIA+ recolhe depoimentos de vítimas de violações de direitos no Espírito Santo e Mato Grosso do Sul

GT Memória e Verdade LGBTQIA+ Ouve Relatos Impactantes de Violências no Espírito Santo e Mato Grosso do Sul

Um verdadeiro testemunho de sofrimento e resistência foi reservado à audiência pública virtual do Grupo de Trabalho (GT) Memória e Verdade LGBTQIA+, realizada no dia 3 de abril. A sessão, que contou com a participação de professores, pesquisadores e pessoas que vivenciaram a brutalidade do preconceito por sua orientação sexual, teve como um dos principais objetivos coletar relatos a serem incluídos em um relatório final programado para entrega em junho deste ano.

Entre os depoimentos, destaca-se o de Edna Mara Ferreira, uma mulher de 61 anos que carrega cicatrizes físicas e emocionais de uma vida marcada pela violência. Desde a infância, Edna foi alvo da agressão do próprio pai e de educadores que não aceitavam sua homossexualidade. Mudando-se para Vitória aos dez anos, ela também conheceu a brutalidade policial. Seu relato inclui uma experiência aterrorizante de ser presa sem motivos e libertada sob a mira de tiros, uma experiência que inspirou o documentário “Lugar de Toda Pobreza”.

A audiência também abordou questões históricas ligadas ao estigma e à discriminação diante da epidemia da AIDS nas décadas de 1980 e 1990. O professor de História, Randas Freitas, destacou como as campanhas estaduais na época promoviam preconceitos, associando homossexuais e prostitutas à disseminação da doença, contribuindo para um ambiente de medo e desinformação.

Chica Chiclete, uma travesti com experiência na luta contra o HIV, relembrou as dificuldades enfrentadas naquela época, incluindo a exclusão social e familiar de pessoas vivendo com o vírus. A situação de vulnerabilidade não se restringe a um grupo específico, mas se estende às comunidades indígenas, como relatado pelo líder Guarani-Kaiowá, Gualoy. Ele apontou as graves violações de direitos humanos que afetam diretamente indígenas LGBTQIA+, ressaltando a necessidade de demarcação territorial e reconhecimento das identidades.

Em busca de justiça e reparação, o GT Memória e Verdade já realizou seis audiências públicas desde sua formação em dezembro de 2023. O objetivo do grupo é documentar as diversas formas de violência sofridas pela população LGBTQIA+ ao longo da história brasileira e propor políticas públicas adequadas. Com consultas abertas até 21 de abril para a sociedade civil, o trabalho visa compilar recomendações que possam integrar o relatório final.

Nesta busca incessante por dignidade, a luta contra o preconceito e a violência se revela fundamental para garantir uma sociedade mais justas e inclusiva para todos.


Perguntas e Respostas

1. O que é o GT Memória e Verdade LGBTQIA+?
O GT Memória e Verdade LGBTQIA+ foi instituído pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania com a missão de investigar e esclarecer as violações de direitos humanos que a população LGBTQIA+ sofreu ao longo da história do Brasil.

2. Qual é o objetivo das audiências públicas realizadas pelo grupo?
As audiências públicas têm como objetivo coletar relatos de experiências de violações e discriminação, além de documentar as diferentes formas de violência que a população LGBTQIA+ enfrentou, para elaborar um relatório e propor políticas públicas adequadas.

3. Como as pessoas podem participar e contribuir com o trabalho do GT?
A sociedade civil pode enviar recomendações e propostas por meio de um formulário disponível até 21 de abril, que será analisado e pode integrar o relatório final do GT.

4. Quais são os principais temas abordados nas audiências?
Os principais temas incluem vivências de discriminação, experiências de violência, histórico de estigmatização, impacto da epidemia de HIV/AIDS e as violações de direitos que afetam tanto a população LGBTQIA+ quanto as comunidades indígenas.

5. Quando o relatório final do GT será entregue?
O relatório final, que reunirá os dados e as recomendações coletadas durante as audiências, está previsto para ser entregue à ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania até o final de junho.

Fonte
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