Mato Grosso: O Futuro da Agroindústria e do Setor Florestal
O estado de Mato Grosso tem se destacado como um polo crescente na agroindústria, especialmente com a crescente demanda por energia renovável. Recentemente, durante a Norte Show 2026 em Sinop, o engenheiro florestal Filipe Mincache Ueoka, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), apresentou a palestra “Desenvolvimento florestal no agro mato-grossense: energia, renda e integração produtiva”. Ueoka compartilhou insights sobre o potencial do setor florestal e os desafios para seu desenvolvimento.
Um dos principais pontos ressaltados por Ueoka foi a necessidade de organizar o setor florestal para atender à demanda crescente, destacando a importância de integrar floresta, indústria e energia em Mato Grosso. Este desafio é particularmente relevante, considerando o aumento significativo na produção de etanol de milho, cuja demanda por biomassa cresceu 114% entre 2021 e 2024. Com aproximadamente 13 usinas de etanol de milho em atividade e várias outras em construção, a pressão sobre a cadeia produtiva florestal se intensifica.
No que diz respeito às florestas plantadas, Mato Grosso ocupa uma superfície de cerca de 298 mil hectares, com uma predominância de eucalipto e teca. Em 2024, o setor florestal movimentou aproximadamente R$ 593 milhões, com funções predominantemente voltadas à biomassa. A teca, por sua vez, apresenta um valor agregado mais alto, sendo exportada principalmente para o mercado externo.
Além das florestas plantadas, o estado possui cerca de 5,3 milhões de hectares de florestas nativas sob manejo, contribuindo para a indústria e construção civil. No cenário internacional, as exportações de Mato Grosso, especialmente de teca, alcançaram cerca de R$ 113 milhões.
A interação entre o setor florestal e a agroindústria é, segundo Ueoka, essencial para assegurar a sustentabilidade e a segurança energética do estado. Ao invés de competir com o agronegócio, a proposta é uma sinergia que aproveite as oportunidades existentes na dinâmica produtiva regional. Um exemplo claro é a utilização de áreas de pastagens degradadas — os dados indicam que dos 12 milhões de hectares disponíveis, cerca de 50% encontra-se em degradação. Assim, transformá-las em áreas para cultivo florestal poderia aumentar a oferta de biomassa ao longo do tempo.
Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa
Nesse cenário dinâmico, o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa do estado, lançado em 30 de março de 2026, surge como uma ferramenta essencial para guiar o crescimento do setor até 2040. A secretária adjunta da Sedec, Linacis Vogel Lisboa, enfatizou a importância estratégica do plano, que visa integrar diferentes setores e estabelecer bases sólidas para um crescimento sustentável.
O plano, construído ao longo dos últimos anos com a contribuição de várias instituições, apresenta diretrizes para organizar e estruturar a cadeia produtiva florestal. Ele é fundamentado em três eixos: a expansão das florestas plantadas, priorizando áreas degradadas; a promoção de um manejo florestal sustentável, que equilibra conservação e uso econômico; e a facilitação da industrialização, com foco na valorização da produção.
Com um olhar voltado para o futuro, Mato Grosso está se preparando para consolidar sua posição como referência na agroindústria, destacando a conexão entre a produção florestal e a necessidade de uma matriz energética mais sustentável e diversificada. Ao criar sinergias e investir em novas estratégias, o estado demonstra que seu desenvolvimento pode ser integrado e sustentável, garantindo um futuro próspero para a agroindústria e o setor florestal.