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Operação Cofre Digital investiga grupo suspeito de desviar R$ 710 milhões em ciberataques

Operação Cofre Digital investiga grupo suspeito de desviar R$ 710 milhões em ciberataques contra sistema ligado ao Pix.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e a Polícia Federal (PF) deflagraram nesta quinta-feira (12) a Operação Cofre Digital, que investiga um grupo suspeito de desviar cerca de R$ 710 milhões por meio de ataques cibernéticos contra instituições financeiras.

As ações ocorrem nos estados de São Paulo e Paraná, com o cumprimento de três mandados de prisão temporária e cinco mandados de busca e apreensão. Os investigados também são acusados de lavagem de dinheiro após o desvio dos valores.

Ataque atingiu empresa ligada ao sistema do Pix

Segundo o CyberGAECO, os criminosos teriam realizado ataques contra uma empresa de tecnologia responsável por interligar instituições financeiras — como bancos, corretoras e fintechs — ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), infraestrutura que sustenta o Pix.

Essa plataforma permite que as instituições realizem transferências em tempo real dentro do sistema financeiro brasileiro.

De acordo com as investigações:

  • O grupo conseguiu desviar pelo menos R$ 710 milhões de duas instituições financeiras;
  • Após o ataque, os valores foram convertidos em criptomoedas;
  • Empresas de fachada foram usadas para ocultar a origem do dinheiro;
  • O processo buscava dificultar o rastreamento e reinserir os valores na economia formal.

A Vara Criminal Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de São Paulo autorizou as medidas judiciais, que incluem o bloqueio de bens e valores.

As ordens envolvem quatro pessoas físicas e 28 pessoas jurídicas, com bloqueio de até R$ 28 milhões para cada investigado, segundo o MPSP.

Invasão pode estar ligada ao caso Sinqia

Embora os investigadores não tenham confirmado oficialmente, há indícios de que o ataque esteja relacionado ao incidente ocorrido em agosto do ano passado com a empresa de tecnologia Sinqia, fornecedora de sistemas para integração de bancos ao Pix.

Na ocasião, os criminosos conseguiram acessar a plataforma utilizando credenciais legítimas de profissionais de TI, o que permitiu movimentar valores sem levantar suspeitas imediatas.

O episódio resultou em um desvio estimado em R$ 710 milhões.

Ataques semelhantes já ocorreram

O caso apresenta semelhanças com outro incidente registrado um mês antes envolvendo a empresa C&M Software. Na investigação, foi identificado o envolvimento de um funcionário que teria colaborado com os invasores, facilitando o acesso aos sistemas.

Esses episódios reforçam o alerta das autoridades sobre o aumento de ataques à cadeia de infraestrutura do sistema financeiro, especialmente empresas terceirizadas que prestam serviços tecnológicos para bancos e fintechs.

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