sábado, agosto 30, 2025
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Seus olhos queimam e a visão fica turva no final do dia? Pode ser essa síndrome.

Olhos ardendo, visão embaçada e dor de cabeça ao final do expediente? Esses sinais podem não ser apenas manifestações de cansaço ou estresse acumulado. Eles estão cada vez mais associados ao uso excessivo de telas, como celulares, computadores e tablets — hábitos comuns na rotina de quem trabalha, estuda ou se diverte no ambiente digital. A Síndrome da Visão de Computador (SVC), também conhecida como Cansaço Visual Digital, tem afetado milhões de pessoas em todo o mundo, muitas vezes sem que elas estejam cientes do que realmente se trata.

Nesta matéria, a TecMania detalha o que é a SVC, quais são seus principais sintomas, quem está mais vulnerável e o que pode ser feito para aliviar ou prevenir o desconforto. Além disso, trazemos orientações práticas de especialistas, como a famosa regra 20-20-20 e ajustes simples no brilho da tela, postura e ambiente. Uma entrevista com um especialista esclarece dúvidas importantes e indica quando é necessário procurar ajuda médica. Confira, nas linhas a seguir.

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Ao final do dia, é comum sentir olhos ardendo e vista embaçada. Para muitos, isso é sinal de cansaço, mas, na verdade, pode indicar um problema real e amplamente reconhecido: a Síndrome da Visão de Computador. Em uma sociedade hiperconectada, o tempo excessivo em frente a celulares, computadores e tablets gera uma onda silenciosa de desconforto visual que impacta milhões de pessoas em todo o mundo, sem distinção de idade.

Ainda que frequentemente confundida com fadiga comum, a SVC representa um conjunto de sintomas específicos e recorrentes provocados pelo uso prolongado de telas. Profissionais que trabalham em escritórios, estudantes que estudam online e crianças jogando em dispositivos eletrônicos são mais propensos a experienciar esses sintomas por não fazer pausas adequadas ou ajustes ergonômicos no ambiente. O alerta é sério: os olhos podem não estar doentes, mas estão claramente sobrecarregados.

A Síndrome da Visão de Computador é uma condição reconhecida por entidades como a American Academy of Ophthalmology e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia. O termo foi criado para descrever os efeitos visuais e oculares causados pela exposição intensa a dispositivos digitais. O esforço para focar em pixels e a diminuição da frequência de piscadas provocam diversos sintomas incômodos, embora temporários.

Segundo o oftalmologista Dr. Lucca Ortolan, doutor em oftalmologia pela USP, “nossos olhos se esforçam mais para focar em pixels, e piscamos menos, o que causa secura e irritação”. Embora a síndrome não cause danos permanentes, o uso excessivo de telas, especialmente entre crianças e adolescentes, pode acelerar o avanço da miopia, uma preocupação crescente na era digital.

Os sintomas da SVC podem afetar tanto a região ocular quanto outras partes do corpo. Entre os mais comuns, estão olhos secos, visão embaçada ou flutuante, ardência, sensação de areia nos olhos e fotofobia. Dores de cabeça, no pescoço, nos ombros e fadiga muscular generalizada ao final do dia também são frequentes.

“Nesses casos, a relação entre os sintomas e o uso excessivo de dispositivos digitais costuma ser subestimada. Muitas vezes, as dores são atribuídas a causas comuns, como tensão muscular, sem considerar o tempo prolongado diante das telas”, explica Dr. Ortolan. Essa falta de percepção pode atrasar diagnósticos corretos e impedir que medidas preventivas sejam adotadas antes que o quadro se agrave.

Embora qualquer usuário de dispositivos por longos períodos esteja vulnerável, alguns grupos são mais propensos. Profissionais em frente ao computador, gamers, estudantes em aulas online e usuários que utilizam o celular até tarde da noite estão entre os mais afetados, com relatos de pessoas que passam até 16 horas por dia diante de uma tela.

Essa questão se torna crítica quando consideramos crianças e adolescentes, que precisam de supervisão e orientações específicas. “Eles são mais vulneráveis porque seus olhos ainda estão em desenvolvimento e podem ter dificuldade em perceber ou comunicar os sintomas, além do risco de miopia”, explica Dr. Ortolan.

Mudanças simples na rotina podem fazer grande diferença. A primeira delas é seguir a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhar por 20 segundos para um ponto a seis metros de distância. Isso ajuda a relaxar a musculatura ocular e prevenir a fadiga visual. Além disso, manter a tela a 50–60 cm de distância, com o topo levemente abaixo da linha dos olhos, melhora o conforto visual.

Outras dicas importantes incluem ajustar o brilho da tela para que fique semelhante ao de uma folha de papel branco no ambiente, usar colírios lubrificantes sob orientação médica e garantir uma boa iluminação — de 300 a 500 lux. Monitores com frequência de atualização a partir de 75 Hz e lentes com filtro de luz azul também ajudam a reduzir o desconforto.

Se os sintomas forem persistentes, frequentes ou interferirem nas atividades diárias, é aconselhável procurar um oftalmologista. Embora a SVC não represente risco direto de cegueira, pode mascarar problemas mais sérios, como alterações refrativas não corrigidas ou doenças oculares pré-existentes. A falta de diagnóstico adequado pode permitir a progressão de quadros como a miopia ou o agravamento do olho seco.

“A SVC, por si só, não causa danos permanentes aos olhos; os sintomas são temporários e desaparecem ao parar o uso da tela”, explica o médico. No entanto, ele alerta: “é fundamental buscar ajuda médica quando os sintomas persistem ou pioram, ou quando há histórico de doenças oculares que podem ser agravadas pelo esforço visual contínuo”.

A era digital transformou nossa forma de viver, trabalhar e nos comunicar, mas impôs novos desafios à saúde visual. Saber identificar os sinais da SVC e agir precocemente é essencial para proteger os olhos e preservar o bem-estar no dia a dia. Afinal, descansar a visão é tão importante quanto descansar o corpo.

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