Título: Queda na Produção de Carros nos EUA Leva Trump a Impor Tarifas de 25% sobre Importados
Por Sergio Quintanilha
A produção de automóveis nos Estados Unidos caiu drasticamente nas últimas quatro décadas, reduzindo sua participação no mercado global de 26% em 1985 para apenas 11% em 2024. Essa queda, acompanhada de um aumento na demanda global, motivou o presidente Donald Trump a adotar uma nova política econômica que inclui a imposição de uma tarifa de 25% sobre carros importados. A nova medida, que entra em vigor na próxima semana, gerou uma onda de críticas internacionais e levantou preocupações sobre os impactos econômicos para fabricantes americanas e estrangeiras.
Em 1985, os Estados Unidos fabricavam aproximadamente 11,7 milhões de veículos em um mercado global que contava com 45 milhões de carros. Hoje, os números mostram que, apesar de uma leve recuperação na produção local, com 11,4 milhões de veículos em 2024, a participação americana é desproporcional em relação ao crescimento global, que chegou a impressionantes 75,5 milhões de veículos. Neste cenário, países como China, Europa e México se destacam pela crescente produção automotiva, enquanto os EUA lutam para manter sua relevância no setor.
Para contornar esse declínio, Trump acredita que a imposição das tarifas poderá atrair novas fábricas para o solo americano. Entretanto, a reação a essa política tem sido intensa. Consultores e líderes globais, incluindo Elon Musk, CEO da Tesla e colega de Trump, expressaram preocupações sobre os efeitos da tarifa. Musk salientou que a Tesla não consegue escapar das repercussões financeiras das novas tarifas, afirmando que “o impacto do custo não é trivial”.
Altos executivos e líderes internacionais também se manifestaram. Shigeru Ishiba, do Japão, questionou a eficácia de tarifas uniformes para todos os países, enquanto Ursula Von Der Leyen, presidente da Comissão da União Europeia, enfatizou que a medida seria "ruim para as empresas e pior para os consumidores". No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney reafirmou o compromisso em defender os interesses nacionais, enquanto Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, argumentou que o desenvolvimento de um país não deve ser promovido por meio de tarifas.
Por outro lado, Robert Habeck, ministro da Economia da Alemanha, e Rachel Reeves, ministra das Finanças do Reino Unido, reafirmaram que “guerras comerciais não são boas para ninguém” e que a União Europeia precisa responder com firmeza à nova política comercial dos EUA.
A nova tarifa de importação e sua implementação suscitam questões críticas sobre o futuro da indústria automotiva na América e suas relações comerciais globais, em um momento em que a economia mundial se mostra cada vez mais interconectada. Com rivalidades comerciais acirradas, a atenção agora se volta para as consequências dessas decisões e se elas realmente ajudarão a revitalizar a produção nos Estados Unidos.